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No Teatro da Vida, queiramos ou não, todos representamos algum papel, até o próprio papel, este, tão simplesinho, que já foi portador das mais lindas mensagens de amor ou das tristes de rejeição, notícias de guerra e de paz, grandes negócios ou desastrosas falências, decretos de prisão ou de liberdade, nascimentos e mortes; com o advento da indústria teve sua produção barateada ao ponto de servir para embalar desde finos presentes até o humilde pão. Não satisfeito com suas utilidades, o homem o preparou para limpar entradas e saídas, isto é, a boca e o que estás pensando.
A partitura da música que ouço neste momento também foi num papel escrita a bico de pena de ave. Quem diria, hem, Mozart? Depois de ser afixada em pedras, a escrita começou a mover-se nos pergaminhos, que eram couros preparados para tal fim; posteriormente os fenícios inventaram o papiro que, vegetal, mais fino e obtido a baixo custo, substituiu o pergaminho. O papiro evoluiu na forma de papel, que teria sido invenção dos chineses que, por sua vez, foram os primeiros a usar a impressão... depois Gutenberg no ocidente...
Tudo isto é bonito de saber; o que não é divulgado é que todo este processo é altamente poluente. Há química tanto nas tintas como na confecção de couros, papiros e papeis. E não é qualquer quimicazinha: ela mata!
Em 2006, quando de minha primeira viagem no ranchomóvel, passei por Aracruz – ES. Era uma noite fresca e sem vento; com os vidros fechados e o arejamento aberto, passei a uns 300m de enorme uma fábrica cheia de luzes. De repente, o interior do ranchomóvel foi tomado de um cheiro insuportável. Tranquei a respiração, acelerei para me afastar o mais depressa possível dali e abri os vidros para arejar. Mais adiante, não sabendo que rumo tomar numa bifurcação, parei e aguardei que alguém por ali passasse. Não demorou muito e um motorista que se aproximava, a meu pedido, parou.
Perguntei-lhe sobre o caminho e aproveitei para perguntar que fábrica era aquela lá atrás. “É de papel da Aracruz Celulose.” Comentei sobre o mau cheiro e ele desenrolou um carretel de revolta, dizendo que lá muitos morriam de câncer e que o câncer já matara seu avô e um tio.
Ora, jornais e revistas dependem do papel... Pare, pense e desconfie: por que não se comenta isto?
O mínimo que podemos fazer é gastar o mínimo de papel. Lavadas as mãos, sacudi-las antes de apelar pra toalha. Durante as refeições, reutilizar o guardanapo. Imprimir somente o indispensável. No sanitário, usar água e sabão que é bem mais higiênico. Assim, além de reduzir danos ao meio ambiente, que o papel sempre provoca, quantas vidas estaremos poupando?
Miguel Angelo
Diretor Geral Ecos
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