quinta-feira, 26 de julho de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
O sofisma chamado agências de notação
Hugo Lameiras
Opinião
Nada melhor do que as famigeradas agências de notação para se perceber Lord Byron: «Afinal, o que é a mentira? Nada mais do que a verdade mascarada.»
O que são, para que servem?
Das inúmeras agências de notação financeira que existem as mais importantes são as três agências norte-americanas: Standard and Poor’s (S&P), Moody’ s Investor Services e Fitch Ratings. Juntas controlam 95% do mercado. Como? Mediante as suas avaliações de empresas ou estados.
As agências de rating são empresas de notação de risco de crédito cuja principal função é medir a capacidade de um estado ou de uma empresa em pagar as suas dívidas. Essa medição (avaliação ou notação) vai do famoso AAA, que é a total capacidade para cumprir os compromissos financeiros, até C ou D (consoante a agência) que classifica a impossibilidade do cumprimento da dívida, isto é, a bancarrota.
Assim, periodicamente as agências atualizam a sua classificação, que pode resultar numa subida (upgrade) ou numa descida (downgrade) do rating de um estado ou de uma empresa.
Por que razão são estas avaliações fundamentais?
É a partir destes ratings que os investidores tomam as suas decisões, uma vez que a nota de risco resultante dessa classificação expressa o grau de risco que essas empresas ou países (nestes casos chamamos risco soberano) apresentam perante o pagamento das suas dívidas (valor total e juros) no prazo fixado. Assim, se um país ou empresa alcançar uma boa nota, o risco para os investidores é reduzido, mas quanto pior for a classificação maiores serão as taxas de juro, já que o risco de não haver pagamento é superior.
Isto parece ser um sistema simples com regras muito evidentes. Acontece que há uma tremenda falta de seriedade destas instituições fomentada pelo enorme conflito de interesses, dado que o avaliador é (quase sempre) pago pelo avaliado.
Que notação dar às agências de notação?
A história demonstrou a fraqueza de um sistema que de perfeito nada tem. O facto é que nos últimos anos os erros de avaliação geraram crises muito profundas à escala global. Um dos exemplos é a Enron, uma empresa americana do setor energético (electricidade e gás natural) e das comunicações, financeiramente muito saudável que colapsou há cerca de uma década originando um escândalo financeiro ciclópico. Onde estavam estas agências com as suas previsões?
O episódio mais paradigmático da falácia destas agências é o colossal erro na avaliação do banco norte-americano Lehman Brothers, que abriu falência a 15 de Setembro de 2008 com prejuízos de 485 mil milhões de euros. De acordo com os dados destas mesmas agências, os títulos de dívida do Lehman Brothers chegaram a negociar com o rating A+ até 180 dias antes da sua falência. Como se justificam as boas notas de investimento que resultaram afinal na crise do subprime?
Em relação ao caso português, há igualmente histórias mal contadas. Lembram-se do rating da EDP, por exemplo, que passou para lixo não há muito tempo? Até aqui nada de estranho, o pior foi saber que a EDP obteve lucros de 1,125 milhões de euros em 2011, mais 4% que no ano anterior, o que representa o melhor resultado de sempre da elétrica. Como se explica um erro tão grosseiro?
Ao nível da avaliação do risco soberano a coisa não é muito mais animadora e há igualmente erros crassos e incompreensíveis. Um desses exemplos é a Argentina, que no espaço de um ano, entre 30 de Outubro de 2000 e 6 de Novembro de 2001, passou de uma notação que lhe conferia o rating BBB-, equivalente ao rating que Portugal tem hoje, para um estado de falência.
Como se explica a bancarrota da Islândia há quatro anos (resgatada em Outubro de 2008), já que estas agências de notação atribuíam seis meses antes o rating A, ou seja, o terceiro valor mais elevado da escala que se traduz num baixíssimo risco creditício?
Há inúmeros erros que o tempo se encarregará de reforçar, mas estas agências defendem-se de uma forma muito simples para se desculpabilizarem: apenas emitem a sua opinião!
quarta-feira, 18 de julho de 2012
NELSON MANDELA- UM LIDER DE RESPEITO
Nelson Mandela, um dos maiores líderes humanistas da história contemporânea. O mundo comemora no dia de hoje seus 94 anos vividos em perene luta pelo respeito e cidadania .
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."
NÓS OCIDENTAIS, OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS
Leonardo Boff
O complexo de crises que avassala a humanidade nos obriga a parar e a fazer um balanço. É o momento filosofante de todo observador crítico, caso queira ir além dos discursos convencionais e intrassistêmicos. Por que chegamos à atual situação que objetivamente ameaça o futuro da vida humana e de nossa obra civilizatória? Respondemos sem maiores justificativas: principais causadores deste percurso são aqueles que nos últimos séculos detiveram o poder, o saber e o ter. Eles se propuseram dominar a natureza, conquistar o mundo inteiro, subjugar os povos e colocar tudo a serviço de seus interesses.
Para isso foi utilizada uma arma poderosa: a tecnociência. Pela ciência identificaram como funciona a natureza e pela técnica operaram intervenções para benefício humano sem reparar nas consequências. Esses senhores que realizaram esta saga foram os ocidentais europeus. Nós, latino-americanos, fomos à força agregados a eles como um apêndice: o Extremo Ocidente. Estes ocidentais, entretanto, estão hoje extremamente perplexos. Perguntam-se aturdidos: como podemos estar no olho da crise, se possuímos o melhor saber, a melhor democracia, a melhor consciência dos direitos, a melhor economia, a melhor técnica, o melhor cinema, a maior força militar e a melhor religião, o cristianismo?
Ora, estas “conquistas” estão postas em xeque, pois elas, não obstante seu valor, inegavelmente não nos fornecem mais nenhum horizonte de esperança. Sentimos: o tempo ocidental se esgotou e já passou. Por isso perdeu qualquer legitimidade e força de convencimento.
Arnold Toynbee, analisando as grandes civilizações, notou esta constante histórica: sempre que o arsenal de respostas para os desafios não é mais suficiente, as civilizações entram em crise, começam a esfacelar-se até o seu colapso ou assimilação por outra. Esta traz renovado vigor, novos sonhos e novos sentidos de vida pessoais e coletivos. Qual virá? Quem o sabe? Eis a questão cruciante.
O que agrava a crise é a persistente arrogância ocidental. Mesmo em decadência, os ocidentais se imaginam ainda a referência obrigatória para todos. Para a Bíblia e para os gregos, esse comportamento constituía o supremo desvio, pois as pessoas se colocavam no mesmo pedestal da divindade, tida como a referência suprema e a Última Relidade. Chamavam a essa atitude de hybris, quer dizer: arrogância e excesso do próprio eu.
Foi esta arrogância que levou os EUA a intervirem, com razões mentirosas, no Iraque, depois no Afeganistão e antes na América Latina, sustentando por muitos anos regimes ditatoriais militares e a vergonhosa Operação Condor, pela qual centenas de lideranças de vários países da América Latina foram sequestradas e assassinadas.
Com o novo presidente, Barak Obama, se esperava um novo rumo, mais multipolar, respeitador das diferenças culturais e compassivo para com os vulneráveis. Ledo engano. Está levando avante o projeto imperial na mesma linha do fundamentalista Bush. Não mudou substancialmente nada nesta estratégia de arrogância. Ao contrário, inaugurou algo inaudito e perverso: uma guerra não declarada usando “drones”, aviões não tripulados. Dirigidos eletronicamente a partir de frias salas de bases militares no Texas, atacam, matando lideranças individuais e até grupos inteiros nos quais supõe estarem terroristas.
O próprio cristianismo, em suas várias vertentes, se distanciou do ecumenismo e está assumindo traços fundamentalistas. Há uma disputa no mercado religioso para ver qual das denominações mais aglomera fiéis. Assistimos na Rio+20 à mesma arrogância dos poderosos, recusando-se a participar e a buscar convergências mínimas que aliviassem a crise da Terra.
E pensar que, no fundo, procuramos apenas a singela utopia, bem expressa por Pablo Milanes e Chico Buarque: “A história poderia ser um carro alegre, cheio de um povo contente”.
publicado originalmente no Jornal do Brasil
domingo, 15 de julho de 2012
CRIANÇAS E TV.
Finalmente o Governo Federal, resolve começar a orientar a população e incentivar uma política de qualificação dos programas televisivos em relação a faixa etária dos telespectadores.
A campanha “Não se engane”, lançada pelo Ministério da Justiça, quer chamar atenção de pais e mães para a influência que obras audiovisuais (filmes, jogos, programas de TV) podem ter na formação de crianças. Além disso, a campanha mostra que a classificação indicativa pode ser uma forma de selecionar os programas que estão presentes no dia a dia do público infantil.
Dois filmes de animação em toy art serão veiculados por emissoras de TV públicas, privadas e em salas de cinema, além da circulação na internet. Os filmes tratam sobre os temas drogas (no topo) e violência e mostram como as crianças tendem a repetir o que veem na televisão.
De acordo com o Painel Nacional de Televisores do Ibope 2007, as crianças brasileiras entre quatro e 11 anos de idade passam, em média quatro horas e 50 minutos por dia em frente à TV. Estudos mostram que as crianças estão propensas a imitar o que assistem em filmes, desenhos, novelas e não distinguem ficção e realidade. Daí a importância de se oferecer ferramentas para que a família faça a escolha sobre o que assistir ou não.
SEGUE A TABELA DE RECOMENDAÇÃO RELATIVA A FAIXA ETÁRIA
OS D0IS PRIMEIROS FILMES PRODUZIDOS E JÁ EM VEICULAÇÃO.
A campanha “Não se engane”, lançada pelo Ministério da Justiça, quer chamar atenção de pais e mães para a influência que obras audiovisuais (filmes, jogos, programas de TV) podem ter na formação de crianças. Além disso, a campanha mostra que a classificação indicativa pode ser uma forma de selecionar os programas que estão presentes no dia a dia do público infantil.
Dois filmes de animação em toy art serão veiculados por emissoras de TV públicas, privadas e em salas de cinema, além da circulação na internet. Os filmes tratam sobre os temas drogas (no topo) e violência e mostram como as crianças tendem a repetir o que veem na televisão.
De acordo com o Painel Nacional de Televisores do Ibope 2007, as crianças brasileiras entre quatro e 11 anos de idade passam, em média quatro horas e 50 minutos por dia em frente à TV. Estudos mostram que as crianças estão propensas a imitar o que assistem em filmes, desenhos, novelas e não distinguem ficção e realidade. Daí a importância de se oferecer ferramentas para que a família faça a escolha sobre o que assistir ou não.
SEGUE A TABELA DE RECOMENDAÇÃO RELATIVA A FAIXA ETÁRIA
OS D0IS PRIMEIROS FILMES PRODUZIDOS E JÁ EM VEICULAÇÃO.
Assinar:
Comentários (Atom)



